Clara Andermatt

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Clara Andermatt iniciou os seus estudos de dança com Luna Andermatt.

Em 1980 recebe uma bolsa de estudo pelo London Studio Centre em Londres, onde permaneceu quatro anos e obtém o respectivo diploma. Entre 1982 e 83 recebe a Bolsa Bridget Espinosa (Reino Unido), atribuída anualmente apenas a uma aluna. Em 1983, é distinguida com o prémio The Best Student Award e recebe o 2º prémio de Coreografia da L.S.C. com a peça CAKE WALK. Obteve igualmente o diploma do curso completo da Royal Academy of Dancing, em 1984. No mesmo ano cria a peça LIVE AND LET DIE.

Depois de vários estágios em Inglaterra e nos E.U.A., é convidada pelo professor Mervin Nelson para um curso de teatro em Nova Iorque. Foi também bolseira do Jacobs Pillow (Lee, Massachussets, 1988), do American Dance Festival – I.C.R. (Durham, 1994) e do Bates Dance Festival (Maine, 2002)

Bailarina da Companhia de Dança de Lisboa, desde a sua formação até Junho de 1988, sob a direcção de Rui Horta.

Em 1989 dança no projecto Rui Horta e Amigos, na peça LINHA, apresentada no Acarte da Fundação Calouste Gulbenkian.

Bailarina da Companhia Metros de Ramon Oller de 1989 a 1991, em Barcelona.

Em 1989 ganha o 1º Prémio do III Certamen Coreográfico de Madrid com a coreografia EN-FIM.

Em 1991 funda a sua própria companhia e nos anos seguintes cria as peças LOUCA LOUCA SENSAÇÃO DE VIVER (1991), MEL (1992), CANSAÇO DOS SANTOS (1992) e CIO AZUL (1993).

Em parceria com o coreógrafo Paulo Ribeiro cria UMA ILHA NUM COPO DE SUMO, interpretada por 40 crianças e 6 bailarinos, para a EXPO 92 de Sevilha.

Participou como coreógrafa convidada no projecto Skite 94, em Lisboa; e coreografa a peça SOLO PROMOTION.

É em 1994 que inicia a sua colaboração com Cabo Verde, com a criação de várias obras com intérpretes cabo-verdianos, acções de formação e colaborações com artistas de diferentes áreas, que culminaram numa série de residências e projectos: DANÇAR CABO VERDE, uma encomenda de Lisboa 94 Capital Europeia da Cultura, com co-autoria de Paulo Ribeiro (1994); PROJECTO CV SABE (uma residência em Cabo Verde durante dois meses, que inclui acções de formação de dança Contemporânea, Contacto-Improvisação, Sapateado e Coreografia); ANOMALIAS MAGNÉTICAS, em colaboração com o músico/compositor Vasco Martins (1995); UMA HISTÓRIA DA DÚVIDA (numa residência prolongada em Cabo Verde que incluiu acções de formação nas áreas da Música, Dança, Vídeo e Guarda-Roupa) (1998) e o concerto coreografado DAN DAU (1999).

Em conjunto com o coreógrafo Paulo Ribeiro é distinguida, em 1994, com o Prémio Acarte/Madalena Azeredo Perdigão da Fundação Calouste Gulbenkian com a obra DANÇAR CABO VERDE.

Por UMA HISTÓRIA DA DÚVIDA, estreada no âmbito do Festival Mergulho no Futuro e Espectáculo de Honra do Festival de Almada, em 1999, recebe o Prémio Almada atribuído pelo Ministério da Cultura.

Em Janeiro e Fevereiro de 1997 participa como coreógrafa na obra CYRANO DE BERGERAC, com encenação de Cláudio Hochman.

Faz a 1ª digressão pelos Estados Unidos com as peças CIO AZUL e CANSAÇO DOS SANTOS, em 1996, onde regressou mais tarde com A HISTÓRIA DA DÚVIDA em 1998. Já em 2000, repõe a peça O CANSAÇO DOS SANTOS para a Companhia Alemã VeraSanderArtConnects e é júri no concurso Jovens Criadores 2000, uma iniciativa do Clube Português de Artes e Ideias.

Em 2001 é editado o CD musical da peça DAN DAU. Nesse mesmo ano participa como coreógrafa no filme NHA FALA de Flora Gomes, integra a equipa de professores da terceira residência em Maputo do projecto Dançar o que é nosso/Danças na Cidade e é convidada pela Escola Superior de Dança para criar uma obra com alunos – INDO EU… INDO EU…

Em 2003 cria a peça POLAROID. É convidada pelo canal Franco-Alemão Artes para a elaboração de um documentário sobre o processo criativo de Polaroid. Neste mesmo ano é convidada por Laura Kumin (directora do evento) para fazer parte do júri do XVII Certamen Coreográfico de Madrid e por Michael Margotta, professor de teatro e encenador, a ser membro do Actor’s Centre ROMA.

Com Michael Margotta e o actor e encenador João Garcia Miguel cria AS ONDAS, de Virginia Woolf, estreada em 2004.

Ao longo da sua carreira, coreografou quatro peças para o Ballet Gulbenkian: CEMITÉRIO DOS PRAZERES e 4 ÁRIAS DE ÓPERA (coreografias para quatro árias, de Clara Andermatt, Vera Mantero, Paulo Ribeiro e João Fiadeiro) em 1996, NEATNET em 2000 e O CANTO DO CISNE em 2004.

Em 2005 estreou NATURAL, uma criação para a Sadler’s Wells Company of Elders, over 60´s performance group, em Londres; LEVANTA OS BRAÇOS COMO ANTENAS PARA O CÉU para o Grupo Dançando com a Diferença – um projecto de dança inclusiva, da Madeira; e MA MÈRE L’OYE para a CêDêCê – Companhia de Dança Contemporânea.

No final de 2005, e a convite da Faro Capital Nacional da Cultura 2005, criou O GRITO DO PEIXE em residência na cidade de Olhão, com 10 alunos de uma escola local, 5 músicos e 5 bailarinos.

Os seus projectos em 2006 incluíram: a criação de ESTUDO PARA UM SILÊNCIO, uma coreografia para os alunos finalistas da Escola de Dança do Conservatório Nacional; a criação do solo HOT SPOT para um dos elementos da Sadler’s Wells Company of Elders no contexto da Gala Sadler’s Wells Celebrates; a reposição das peças NATURAL em Veneza e Lisboa; LEVANTA OS BRAÇOS COMO ANTENAS PARA O CÉU em França e Lisboa; e a estreia de SILÊNCIO, uma produção para a Companhia no âmbito do Festival Temps D’Images 2006.

No ano de 2007, estreou o concerto IN MY MIND em parceria com o músico Vítor Rua; no mesmo ano apresentou ainda E DANÇARAM PARA SEMPRE, uma encomenda do Teatro Nacional de São Carlos para coreografar a obra La Bôite à Joujoux de Claude Debussy.

Em 2008, Clara Andermatt e uma equipa de criativos multidisciplinar para o Festival Imaginarius apresentam um espetáculo de rua chamado MEU CÉU, em Santa Maria da Feira.

Em 2009, a convite da direção do MITO (Mostra Internacional de Teatro de Oeiras), a criação VOID volta a ligar a coreógrafa a Cabo Verde, “um encontro de culturas” é o ponto de partida. Um espetáculo que dá origem, em 2010, à nova versão, VOID ELÉCTRICO – uma aposta do Festival Imaginarius e do CCB.

Ainda em 2009, Clara Andermatt e surge como autora e intérprete do seu primeiro solo, SO SOLO. Colabora na concepção e dramaturgia desta peça o actor e encenador nova-iorquino, Robert Castle.

Em 2010, Jorge Salavisa desafia Clara Andermatt e o cineasta Marco Martins no sentido de cruzar áreas e experiências. Assim nasce DURAÇÕES DE UM MINUTO, o resultado de um trabalho misto entre a dança e a imagem.

A 29 de Abril de 2011, para assinalar o Dia Mundial da Dança, a Companhia Nacional de Bailado estreia uma obra co-criada por alguns dos mais importantes coreógrafos portugueses, UMA COISA EM FORMA DE ASSIM, acompanhada na composição e interpretação musical pelo pianista Bernardo Sassetti. A coreografia apresentada por Clara Andermatt resultou mais tarde na produção do filme DERIVA, realizado por Aurélio Vasques e Bernardo Sassetti.

No mesmo ano, a convite da Companhia Maior, apresenta MAIOR no Centro Cultural de Belém, um processo de trabalho muito especial com as 17 pessoas, todas elas com mais de 60 anos, participaram neste espetáculo.

Em 2012, Clara Andermatt concebe um espetáculo de rua, VIRA COMO A VIDA, com o Grupo Folclórico da Casa do Povo de Serzedelo onde o tradicional e o contemporâneo, o rural e o urbano, o passado e o presente se cruzam na música e no movimento. Chamou ainda para colaborar no projeto o músico Luís Pedro Madeira e os Macadame.

Volta a trabalhar com o Grupo Dançando com a Diferença e apresenta DEZ MIL SERES, um processo distinto com a mesma intenção em desafiar os limites.

Ainda em 2012, em parceria artística entre o Estúdio de Ópera da Escola Superior de Música de e O Espaço do Tempo apresenta a ópera PÁRIS E HELENA.

Em 2013, com produção da Companhia Nacional de Bailado, a coreógrafa e o compositor João Lucas apresentam DANCE BAILARINA DANCE.

Depois do espetáculo de rua em 2012, Clara Andermatt volta a trabalhar o universo da dança e da música tradicionais portuguesas explorando as suas mais variadas manifestações numa abordagem contemporânea e cria FICA NO SINGELO, que recentemente esteve no théâtre de la Ville em Paris no âmbito do Chantiers d’Europe 2016. Esta obra conta já com 17 apresentações em 12 locais diferentes, nacional e internacional.

Em 2014, uma produção em conjunto com a RADAR 360, é convidada para trabalhar o circo moderno e apresenta NOVO-VELHO-CIRCO.

Em 2015, Clara Andermatt é convidada para ser a artista residente no teatro Viriato, em Viseu, lugar onde começa a preparar, a três, uma nova criação chamada SUSPENSÃO, convidando para o palco os compositores Jonas Runa e António Sá-Dantas.
SUSPENSÃO estreou em Março de 2016 e é um trabalho que incide numa forte exploração sonora criada a partir de sistemas eletroacústicos acionados através do corpo, movimento e luz que se desenvolvem em simultâneo criando uma linguagem unificada.

As suas obras são regularmente apresentadas em Portugal e no estrangeiro, nomeadamente Alemanha, Holanda, França, Reino Unido, Canadá, Estados Unidos, etc.

Lecciona e orienta vários workshops em diversas escolas de dança e Companhias em Portugal, Espanha, Alemanha, Holanda, Cabo Verde, Rússia, entre outros.